quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Carta




Uma carta para...


Querida pessoa

Obrigada por tua atenção, obrigada pelas palavras bondosas, obrigada por tua presença constante mesmo que distante, obrigada por você ser você, exatamente como és.
Sei que estás confusa, estas triste e um pouco perdida neste planeta tão peculiar, com valores tão deturpados, com a agressividade se tornando tão corriqueira, com a falta de amor simples, sincero, puro, simplesmente amor...
Aqui estamos então temos que conviver com nossos familiares (nem sempre com o mesmo pensamento, com o mesmo amor com desapego, com respeito) e precisamos viver
ali, exatamente ali.
Se pensamos em reclamar, nos impor, nos fazer respeitar o retorno é uma chantagem emocional muito grande que nos faz sentirmos o último dos humanos, e aquele olhar
"coitadinho de mim, faço tanto por você..." e lá vai sentimento de culpa...
Mas, minha querida, estamos onde merecemos estar, estamos vivendo exatamente o que buscamos. Somos covardes? somos bonzinhos ou somos "melhor" que o outro?
Não sei, quanta consciência temos em nós? Por que nos deixamos abalar, sofremos, nos mutilamos apenas por uma palavra, um olhar, um escárnio? Por que adoecemos na
alma, quando os que mais próximos estão de nós nos ferem,nos humilham, nos fazem pecar pela revolta, pela tristeza, sensação de inutilidade de existência.
Querida e quando nos sentimos com medos: sim com muitos medos. medo do julgamento do colega, medo de não ser bom o suficiente para seguir em frente de acordo com
outro, uma sociedade estabelecida por humanos que nem sequer são humanos.
Sabe? estamos no meio de uma guerra de poder, de intelectualidade, de dinheiro... E ainda nos perguntamos por que estamos tão confusos? por que buscamos algo mais sólido
para nos apoiar?
Adoraria simplesmente poder falar palavras que pudessem te ajudar, te levantar, mas é válido mentir para ajudar? é válido fingir para assegurar uma companhia sorridente?
Não sei, assim como não sei por que estou escrevendo uma carta quando tudo é muito mais rápido que isto, tudo é de uma velocidade que não conseguimos sentir a vida. Sabe amiga,
vejo todos os dias pessoas que assistem a vida passar, me lembram Raul Seichas dizento "sentado em um apartamento com a boca escancarada cheira de dente esperando a morte chegar"
e estas são as pessoas mais normais do planeta, elas não pensam, elas não interagem, elas simplesmente passam sem deixar vestígios ou se deixam são vestígios que não elevam este sistema.
Querida, espero ou melhor desejo muito que você encontre tua paz, teu amor pela vida, ou simplesmente tua vida.
Beijos

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